segunda-feira, 18 de julho de 2011

O sentido da vida


"Como é possível dizer sim à vida apesar de tudo? Como pode a vida conservar o seu sentido potencial apesar dos seus aspectos trágicos?"

Diante das tragédias da vida, tirar o melhor significa transformar o sofrimento em oportunidade de crescimento, de mudança e/ou de conquista interna, mudando a si mesmo para melhor. Do mesmo jeito que o sucesso pode despertar no homem atitudes positivas e negativas. A dor também pode despertar o que potencialmente este homem tem de melhor ou pior.

O enfrentamento da dor se faz através da esperança, ninguém pode forçar a si mesmo a ser otimista. Otimismo, esperança e fé são construidos se o sujeito se lança a procura. "O ser humano não é alguém em busca da felicidade, mas sim alguém em busca de uma razão para ser feliz."

A necessidade de razão ou sentido de vida é inerente ao ser humano. A falta de sentido na vida pode desencadear sofrimento e adoecimento. Os sentidos ou o sentido pode ser encontrado de formas diversas. Cada sujeito constrói um sentido através das escolhas que realiza na vida.

"A vida é feita de instantes que estão morrendo." Tem pessoas que dizem ter uma vida cheia de objetivos, planejam e buscam realizá-los. Outras encontram sentido no dia a dia de trabalho; na construção e cuidado da família; no relacionamento amoroso; nos estudos; na ajuda prestada ao próximo; na religião e/ou na fé; no esporte; no enfrentamento da (s) dor (es); etc.

"O ser humano não é uma coisa entre outras; coisas se determinam mutuamente, mas o ser humano, em última análise, se determina a si mesmo. Aquilo que ele se torna - dentro dos limites dos seus dons e do meio ambiente - é ele que faz de si mesmo."

Cada pessoa é responsável pelas escolhas que faz e consequentemente, pelo que faz de sua vida e pelo que faz de si mesmo. A vida traz os desafios e o ser humano reage diante deles a favor ou contra o seu próprio crescimento. Crescer é um aprendizado. O sentido pode estar nas coisas simples da vida e na superação do que é trágico ou inevitável.

Abraços fortes...


*Citações do teórico da Logoterapia - Viktor E. Frankl

Obrigada a todos os visitantes e seguidores do Blog, juntos já ultrapassamos mais de 13.000 acessos.

sábado, 16 de julho de 2011

O dilema das diferenças


Por que será que para algumas pessoas é tão difícil conviver com as diferenças? Você que está lendo esta postagem, consegue pensar e descobrir respostas para este dilema?

Nas relações amorosas, nas relações em família, no ambiente profissional, para se construir um relacionamento saudável, baseado no respeito às individualidades ou diferentes formas de ser, é indispensável aprender a conviver e aceitar as diferenças. Fácil de falar, difícil é colocar em prática!

Tem muita gente dizendo que sabe lidar com o diferente, mas em suas atitudes e conflitos demosntram o contrário. O diferente assusta, intimida, gera insegurança. Será que sempre é assim? Digo apenas que depende! Por que algumas pessoas se aproximam ou aceitam com mais facilidade de quem lhes parece muito semelhante? E por que outras pessoas escolhem e se aproximam de pessoas tão diferentes dela?

É questão de gosto? Do jeito que se gosta ou não de um sabor ou perfume doce, ou se rejeita algo contrário? Em primeiro lugar é importante pensar que normal é ser diferente. Acontece que TODO e qualquer ser humano, mesmo que inconscientemente, na busca por encontrar alguém com quem possa se vincular e/ou se relacionar de forma satisfatória, em todos os tipos de relação (amorosas ou não), vai se deparar com o diferente porque NINGUÉM É IGUAL A NINGUÉM.

Então todos serão confrontados com as diferenças entre o eu e o outro, mas nem todos sofrerão por isso. As escolhas que conduzem a aproximação entre dois seres ou a ação de não permitir essa proximidade, são determinadas por características pessoais mutáveis e imutáveis.

Estou atendendo atualmente diversas pessoas que sofrem pela dificuldade de conviver com alguém que amam, mas que não pensa.. não sente... não escolhe... não vive, como eles ou como eles gostariam. Neste conflito a pessoa que não sabe lidar com as diferentes formas de ser e viver a vida, sofre muito e por vezes, adoece emocionalmente e fisicamente. A relação sofre desgastes pelas sucessivas frustrações, pelas expectativas não atendidas, pelo confronto e brigas que passam a ser cada vez mais constantes.

Não saber lidar com as diferenças provoca dor, isolamento, solidão, desamparo, depressão... faz com que o sujeito carregue dentro de si a dor de não pertencer a lugar ou grupo nenhum, de ser igualmente rejeitado por aquele que não aceita suas imposições, de estar sempre recebendo do outro o mesmo desprezo ou desaprovação.

É notório que as diferenças existem, porém será que todos ou grande parte já aprendeu a conviver, se relacionar e aceitar a diversidade humana, principalmente na construção de vínculos ou relações? Quantos e quantos relacionamentos já foram desfeitos? Quantas pessoas brigam e adoecem juntas com tanta troca de imposições?

Esse tema pode ser mais e mais explorado, dentro de cada um que pára para pensar sobre o que leu, sobre as suas formas de se relacionar com o outro. Tem gente que está no outro extremo, que aceita e se mostra submisso para evitar o confronto ou para não romper uma relação. Mas isso é assunto para outra postagem... Pense você nas relações que fazem parte de sua vida atual e passada, e caso perceba que não estão satisfatórias, que causam ou causaram sofrimento para você ou para o outro, busque ajuda psicológica para resolver o que lhe faz mal ou atrapalha na vida, seja feliz!!

Lembre-se: toda relação é construída por todos os envolvidos, dois ou mais... e somente na relação consigo mesmo, é que existe SOMENTE uma pessoa responsável pelo sucesso ou fracasso desta relação.

Abraços fortes e cheios de saudades de estar por aqui... estou de volta!!

Obrigada aos que mantiveram este espaço sendo visitado e se mantendo como construtor de sentidos... os meus, os seus e os nossos...  

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Bom dia a todos... em  breve voltarei a escrever no Construindo. Estive ausente, porém sentindo muito pelo tempo corrido e impossibilidade de escrever ou trocar com vocês! As perguntas do formspring serão respondidas e tudo voltará a ser como antes...

Um forte abraço! Saudades... Stella.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Adoecimento e perda da autonomia


O que significa perder a autonomia? Após adoecimento grave, geralmente o indivíduo vivencia sucessivas mudanças, que podem desencadear um processo de perda da autonomia, decorrente da necessidade de receber ajuda ou cuidado de outra pessoa e torná-lo dependente de alguém; ou ainda, pela impossibilidade de realizar atividades ou escolhas sem restrições. Neste caso, o indivíduo autônomo é responsável por si mesmo, capaz de cuidar de si ou de exercer papel ativo em sua própria vida.

Porém, quando a doença chega e junto as limitações, nem sempre se tem a escolha de recusar ajuda ou de realizar sozinho atividades pessoais ou particulares. O sentimento de inutilidade ou improdutividade é penoso, pode despertar reações emocionais negativas, sentimentos e pensamentos que intensificam a dor das perdas e gera culpa em grande parte dos pacientes. É comum ouvir de pacientes que sempre foram pessoas ativas ou independentes, que agora eles se sentem como se fossem um "peso" para seus familiares ou cuidadores.

Algumas perdas são temporárias, outras são permanentes. Mesmo que seja apenas por um período, muitas vezes é necessária uma reorganização familiar, uma mudança de papeis ou de rotina diária na vida do sujeito cuidador, para que esteja presente e consiga atender as atuais necessidades do indivíduo doente. TODA perda significativa gera sofrimento e requer cuidado para elaboração. Elaborar é um processo de reorganização psíquica e funcional. Emoções e hábitos de vida sofrem mudanças e se reorganizam para amenizar o sofrimento.

Atendo pacientes gravemente enfermos que lutam para vencer o sofrimento interno e as dificuldades externas no dia a dia, de inúmeras limitações ou perdas pelo adoecimento. Cito alguns para favorecer a reflexão a respeito do tema.

Uma paciente obesa mórbida, que perdeu sua autonomia e depende de alguém para realizar sua higiene pessoal (tomar banho, ir ao banheiro), para caminhar, se levantar, para se alimentar; pois já não consegue realizar nenhuma atividade sozinha.

Uma familiar que é cuidadora de um paciente com Doença de Alzheimer, este que está cada vez mais dependente de seus cuidados, tornando a vida da cuidadora, mais e mais restrita, comprometendo seu autocuidado e gerando sobrecarga física e emocional.

Um paciente adolescente que neste momento está em tratamento para Leucemia, que sofre pelas restrições e diversas mudanças em sua vida, doença que o impossibilita de continuar como goleiro do time de bairro que tanto ama, do qual faz parte desde menino.

Um paciente que está gravemente adoecido e tornou-se totalmente dependente de cuidado, deixando de exercer o papel de cuidador da sua família, sentindo-se inútil e incapaz de cuidar dos que tanto ama.

Para esses indivíduos, de todas as idades, que sentem-se invadidos pelo sofrimento de perdas geradas após a descoberta de uma doença grave, é importante oferecer um cuidado respeitoso, que não comprometa o direito de escolha dessas pessoas. É possível ajudar ou cuidar, sem inutilizar alguém. Podemos executar algo para alguém, estando atento aos seus desejos e necessidades, sem imposições ou desrespeito, desvalorização do outro enquanto ser pensante e detentor de escolhas.

O paciente demenciado perde gradativamente sua função cognitiva ou pensante, mas enquanto consegue realizar algumas atividades mesmo que supervisionado, é importante que seja estimulado a continuar até que de fato, perca essa habilidade.

O apoio psicológico faz parte do acompanhamento de pacientes e familiares, para favorecer a adesão ao tratamento da doença física, para previnir ou cuidar do sofrimento e adoecimento emocional, contribuindo para a reorganização de papéis e elaboração das perdas inevitáveis.

Abraços fortes...

terça-feira, 14 de junho de 2011

Escolhas: é vivendo que se aprende


É interessante pensar sobre porque o ser humano realiza algumas escolhas e outras não... essa reflexão pode levar horas, dias, meses... uma vida toda e ainda assim, não se findar. Não siginifica que não existam respostas.. claro que existem, e muitas! Acontece que, o que nos mobiliza a escolher ou não escolher determinados caminhos na vida... sem dúvida está relacionado a nossa história de vida, diz sobre quem somos... quem nos tornamos... e sobre a herança (dos conteúdos internos) que recebemos de pessoas e nas relações que desenvolvemos desde o nosso nascimento.

Algumas características pessoais influenciam claro... tem gente que é extremamente impulsiva e ansiosa, age sem pensar antes, diz sem medir as palavras ditas... e claro, mas curiosamente... encontra justificativa pronta para aquilo que faz.

Tem gente muito "pé no chão"... gente que não sabe agir sem pensar muito no que vai fazer ou dizer, gente que pensa .. pensa.. pensa tanto e  se orgulha de ser assim, pois acredita que tem muito mais chance de acertar, já que sua reflexão prévia lhe permite traçar metas... antever complicações e finalizar com sucesso, aquilo que faz. Certo? Sim, porque não. Mas nem sempre isso acontece!

Na vida o autoconhecimento e a aceitação de que todos  nós podemos acertar e também errar em nossas escolhas, é muito importante para o sujeito reflexivo tanto quanto para o sujeito impulsivo. Ambos justificam seus modos de ser e existir no mundo. Quem nunca ouviu a frase: errar é humano, duro é insistir no erro. Para muitas pessoas é importante controlar e justificar tudo que faz, porque não se permitem errar... sofrem muito diante da possibilidade do erro. É comum ouvirmos dessas pessoas: tenho que conseguir sempre!

E aquele que pensa muito, pensa tanto que desiste e não tenta, sempre volta atrás. Vive constantemente desistindo de seus desejos e reprimindo a impulsividade que não se permite ter, reprime também a sua criatividade e/ou qualquer possibilidade de realização para toda construção de pensamento que se tem.

Escolhas... uma vez ouvi assim: "Aquele que tem tanto medo de escolher e diz que não vai escolher nada, acabou de escolher por não escolher e sofre pelas conseqüencias desse medo e anulação."

Escolher faz parte da vida, da mesma forma o aprendizado diário sobre nós mesmos e sobre o mundo que nos cerca. Escolha bem feita não é certeza de acerto, escolha bem feita é aquela que nos permite buscar aquilo que nos faz sentido e se não der certo, vale pela tentativa e pela fé que dedicamos a nós mesmos. 

Escolhas dizem muito de nós, tanto quanto a atitude de desistência por uma escolha que deixamos de fazer, seja por qual for o motivo. A dúvida, o medo, a repressão, a desistência constante, a insegurança e às vezes, o adoecimento do corpo e do emocional diante das desistências, precisam de cuidado.

Pessoas de todas as idades carregam o duro fardo, o sofrimento e a necessidade de ter que conseguir SEMPRE. Esse pensamento e atitude frente a vida ou frente as escolhas, são desencadeadas pela insegurança que provoca sofrimento e adoecimento em crianças, adolescentes, adultos e idosos.

Claro que muitas escolhas são difíceis, assim como viver as lições diárias que a vida nos traz, não é nada fácil. Para você que se percebe em sofrimento, para os pais que observam em seus filhos o sofrimento diante das escolhas da vida, para quem necessita de ajuda para conhecer mais a respeito de si mesmo e para buscar o que tanto deseja, também para aquele que NÃO CONSEGUE escolher e que se sente PARALIZADO ou INCAPAZ de buscar o que deseja....  procure ajuda psicológica, cuide-se e seja feliz! Você merece!!


Abraços fortes... 


"A vida é a soma de todas as suas escolhas."
(Albert Camus)

quarta-feira, 8 de junho de 2011

"Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses."

(Rubem Alves)


Por questões pessoais e profissionais, estou um tanto distante do Construindo. Agradeço as visitas que permanecem e aos seguidores que compartilham comigo deste espaço de construção de significados, agradeço a todos pelo número de acessos que cresce a cada dia. Gostaria de informá-los que logo que possível, volto a escrever e dividir com vocês, parte do que busco diariamente construir em minha profissão, nas relações e vivências que a vida me traz.

Beijo enorme no coração... Stella.


quinta-feira, 2 de junho de 2011

Hoje um paciente me disse assim: "A vida ensina, nem todo mundo aprende, mas ela ensina. Tem gente que vê o caminho cheio de espinho e não faz nada, tinha que pegá a enxada e sair carpinando (capinando) um caminho novo. Mas não faz isso não e fica andando pelos espinho."

Preciso dizer mais alguma coisa?

Abraços fortes...

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Presente de uma paciente


Recebi um presente de uma paciente muito querida ... uma carta. Foi uma surpresa, encontrá-la no corredor do ambulatório, me procurando para dizer que havia remarcado seu atendimento comigo, por causa da sua quimioterapia. Depois disso, retirou da bolsa um embrulho e uma carta que estava presa nele, me entregou dizendo que tinha essa carta. Ela estava com pressa, se despediu e nem me viu abrindo o embrulho e lendo o que escreveu, recebeu meu abraço e foi embora. Ao voltar para a minha sala, pude abri-lo e li sua carta. Gostei do presente e me emocionei muito com o que ela me escreveu.

Não tenho vergonha de dizer que chorei de emoção e alegria pelo que li. Era uma carta de agradecimento, de um ser humano que está lutando contra o Câncer para viver. Essa pessoa é uma lutadora, durante toda sua vida, enfrentou muito sofrimento e sempre... sozinha.

Sua depressão teve início provavelmente na infância, decorrente do sofrimento e de tantas perdas vividas, mas essa depressão nunca foi identificada e tratada. Esta pessoa que foi se acostumando a ser sozinha, viveu acompanhada da depressão, que se misturava ao seu modo de ser e viver. Desde o princípio do diagnóstico psicológico, foi resistente ao uso de medicação e quando orientei sobre a depressão estar se agravando e comprometendo sua aderência ao tratamento para o câncer, sentiu-se desvalorizada e entendeu que eu e sua médica, não reconhecíamos seu esforço para se tratar.  Expliquei que os sintomas se agravavam e que podiam até mesmo, impedí-la de sair de casa para ir a terapia ou realizar sua quimioterapia.

No atendimento seguinte após 3 semanas, voltou com um sorriso no rosto e timidamente me disse que havia começado a tomar a medicação e que agora entendia o que eu estava lhe dizendo. Que aquela tristeza não era ela, disse que agora sabia que eu me importava e gostava dela. Foi emocionante, ver aquela pessoa dizendo que estava começando a se sentir melhor e que agora lutava contra o câncer, sem sofrer emocionalmente como antes.

Trago aqui, um trecho desta carta que recebi de presente, uma carta que expressa verdade.. enfrentamento... superação e sentidos:

"O que nos faz levantar da cama? São nossos ideais, nossos objetivos. Aquilo que dá sentido para a nossa vida, independente do nosso estado de ânimo, sentimento e condições físicas. Em resumo, o sentido que damos para nossa vida, depende dos nossos ideais e das tarefas, na realização dessas tarefas, podemos ter fracassos. Sabemos muito bem que os fracassos nos acompanham sempre e nos fazem sofrer. Sentimos dor por eles. E para descobrirmos o sentido da dor, precisamos da psicóloga, que nos resgata dos fracassos e da depressão, e não permite que nos amarguremos na dor. (...) você me ensinou a encontrar a paz e também a perceber que é maravilhoso viver!!"

Agradeço a ela pela confiança, por me permitir saber a respeito de sua vida e de seu sofrimento, por me deixar ajudá-la. A melhora de um paciente ocorre quando o mesmo participa de seu tratamento, quando ele se compromete e se dedica para sua melhora. A medicação é utilizada quando a dor emocional é tão forte que, paraliza e compromete a reflexão, impedindo a mudança de pensamentos, sentimentos e atitudes; comprometendo a qualidade de vida e o autocuidado. Medicação é PARTE de um tratamento, NUNCA será SOLUÇÃO para essa dor. A terapia complementa o tratamento para a depressão, porque trata das causas e sofrimentos emocionais. Remédio combate apenas sintoma.

Como eu disse, ela é uma pessoa querida ... sei que vou sentir saudades quando a mesma puder receber alta do tratamento psicológico. Juntas vamos comemorar este momento e o resgate de sua saúde emocional, também de novos sentidos para viver.

Abraços fortes e beijo no coração de todos!!

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Um novo caminho

"Não há fatos eternos, como não há verdades absolutas."

(Friedrich Nietzsche)


Hoje atendi uma pessoa que pela primeira vez em terapia e na vida, conseguiu dizer que se sente sozinha porque não tem ninguém que olhe para sua dor e lhe ofereça ajuda ou cuidado. Reconhece que as pessoas se acomodaram, na realidade, ela mesma sabe que também foi responsável pelo papel que assumiu nas relações com amigos e familiares.

Relação sem trocas, papel de quem sempre assumiu o lugar de quem cuida e pouco ou nunca, recebeu de volta a mesma dedicação ou carinho. Para ela, as pessoas começaram a se afastar quando se cansou, cansou de ser sempre aquela quem resolvia os conflitos e nunca dizia não para as dores e necessidades do outro. Cansou... porque ser permissiva demais lhe custou seu equilíbrio, sua saúde.

 Essa pessoa ainda não encontrou um novo modo de ser e existir no mundo, para dizer o que sente e necessita, sem receber ausência e distanciamento de volta. A agressividade ou impulsividade de suas palavras e sentimentos reprimidos, hoje não são mais guardados, saem facilmente de sua boca... dizem sobre a dor de quem não está sendo ouvida por ninguém, nem por si mesma.

Hoje se iniciou um processo de mudança... costumo dizer que para mudarmos algo, primeiro é importante reconhecer a necessidade de mudança, só assim se busca um novo caminho.

Abraços fortes... 



domingo, 22 de maio de 2011

Para refletir...

Ser forte não significa não sentir, da mesma forma que sentir não significa ser fraco.


Abraços fortes...