"Não é que você seja diferente, mas é que ninguém consegue ser igual a você."
(William Shakespeare)

Ter esperança é direito de todo ser humano, é também o que lhe permite seguir em frente e confrontar seu sofrimento, para então cuidá-lo. Falo em cuidar porque nem sempre é possível curar. Mesmo em casos graves, em que o paciente pode evoluir para óbito, não se pode tirar a esperança que ele ou seus familiares carregam. Sendo assim, é importante ajudá-los a lidar com as possibilidades sabendo da gravidade, para que mesmo não obtendo o que tando deseja, o indivíduo consiga através da sua esperança, realizar o que ainda lhe é possível.
Um paciente em cuidados paliativos por exemplo, pode ter a consciência da gravidade de sua doença e ainda assim, manter viva a sua esperança, que lhe permite continuar lutando para viver os dias que lhe restam, muitas vezes aumentando o tempo de vida. Em contrapartida, aquele que deixa de acreditar, pode entregar-se, vivenciando a piora da doença em pouquíssimo tempo.
Manter a esperança de alguém, não significa lhe dar falsas esperanças. Na realidade, sem esperança, a pessoa não enfrentaria o seu (s) sofrimento (s) diante de uma doença grave, para manter-se vivo e ao lado de quem ama. Uma pessoa sem esperança não luta e não vence nenhuma batalha na vida, mesmo a pessoa saudável. Desiste dos seus desejos ou sonhos e se entrega ao conformismo, passividade e depressão.
Todos os dias, seja no ambulatório, hospital ou no consultório particular, com pacientes e seus familiares, encontro exemplos de que viver e se manter vivo, pode ser uma luta diária. Segundo Niezsche, "quem tem porque viver suporta quase qualquer como.
Pacientes e familiares compartilham suas dores comigo, para que eu os ajude a continuar lutando. A esperança nem sempre atende aos nossos mais profundos desejos, mas ela SEMPRE nos fortalece. A esperança se mostra na dor, como um bálsamo que conforta e alivia o sofrimento, este que nem sempre conseguimos evitar.
Hoje vou compartilhar com vocês, algumas falas ou pedacinhos de esperança, de pessoas que vivenciam suas dores e mesmo assim, não desistem de lutar.
"Eu preciso acreditar que a doença pode ter cura, que existe algum remédio menos forte, com menos efeito colateral porque já tem 1 ano nesta luta, eu vou acreditar. A vida inteira eu fui assim, sempre acreditei que podia dar certo." (Paciente 1 - em cuidados paliativos há um ano).
"Eu vou conseguir, mas tá doendo muito, não passa. As pessoas dizem que passa, mas não passa. Eu quero conseguir, eu vou conseguir." (Paciente 2 - em cuidados paliativos, sofrendo uma desilusão amorosa).





